Bem-vindos a mais uma review da Mulher-Maravilha por George Pérez! Indo para o segundo volume dessa clássica fase atemporal publicada no fim dos anos 80. O segundo volume compila das edições 8 a 14 de Wonder Woman entre 1987 e 1988, com roteiro de Len Wein e desenho e argumento de George Pérez, aqui no Brasil foi publicado mais recentemente no vol. 1 do omnibus "Mulher-Maravilha por George Pérez" e no volume 2 da coleção "Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha", a coleção na qual estou me baseando para fazer as reviews.
Esse volume assim como o anterior também tem uma grande história principal: O Desafio dos Deuses. Diana é desafiada pelos deuses do Olimpo para entrar no portal sombrio que fica embaixo da ilha de Themiscyra como uma forma de "punição" após se recusar a ter relações carnais com Zeus; lá, ela passará por diversos percalços e perigos mortais. Além dessa história principal que acontece nas edições 10 a 14, tem também as edições 8 e 9 que servem como um "tapa-buraco" entre muitas aspas. A 8 tem um estilo de narrativa muito curioso pois se baseia em cartas dos coadjuvantes da Mulher-Maravilha escrevendo sobre o impacto dela em suas vidas, além de também resumir a participação da personagem na saga "Lendas". Na 9 há a primeira aparição da Mulher-Leopardo pós-Crise, uma das principais inimigas da Mulher-Maravilha, um encontro que está sendo preparado desde o final da edição 7.
A história segue sendo de altíssima qualidade, não foi tão cansativo ler este volume como foi o anterior, talvez porque ele fosse inédito. Len Wein acertou muito em fazer uma trama crescente lenta nessa história, são só cinco edições que te deixam na ponta da cadeira, aflito com que irá acontecer com Diana no terrível portal subterrâneo de Themiscyra. Algo que interferiu um pouco na história foi a decorrência da saga "Milênio" em paralelo ao arco.
Antes de prosseguir, é importante uma contextualização do que isso quer dizer: No fim dos anos 80, começara a onda de sagas anuais da DC que unia algumas revistas, essa onda segue até hoje (Vide "Poder Absoluto" (2024) e "DC K.O." (2025-26)), com isso, as revistas que têm personagens envolvidos na história da saga são diretamente afetados pois precisam interromper histórias que estavam acontecendo ou mudar algumas coisas para entrar na trama principal da saga, essas edições são chamadas de "tie-ins". Neste caso nós temos a saga "Milênio" que, dando um breve resumo, consistia na caça dos heróis pelos Caçadores Cósmicos, seres galáticos que estavam infiltrados e disfarçados na Terra. Isso afetou diretamente as edições da Mulher-Maravilha, pois ela precisa sair da caverna e ir ajudar os heróis, por sorte, Len Wein é um bom escritor e conseguiu colocar que os deuses mandaram ela como parte de desafio, apesar de ainda ser uma desculpa esfarrapada.
Voltando.
Há dois elementos nesta história que me surpreenderam muito: Hipólita e Héracles. A rainha amazona entra na caverna para resgatar sua filha pois pensava que poderia ser um desafio grande demais para Diana, e guiada por um abutre suspeito, ela adentra o lugar pérfido. Em sua empreitada, ela se depara com uma estátua gigante de Héracles, o semideus que abusou dela e fez as amazonas sofrerem como ninguém. Héracles está em uma posição de sofrer enorme e ela pode ouvir seus gritos de agonia e arrependimento, ela percebe como os deuses castigaram-no ao sofrimento eterno, maior do que o que ele infligiu às amazonas. Depois que Héracles é libertado por Diana e sua mãe, ele quase se sacrifica para salvar ambas, pois a montanha onde a caverna se localizava estava desabando e só ele poderia segurar, ao ver tamanho ato de coragem e solidariedade, os deuses do Olimpo permitem que todos vivam e saiam do lugar desastroso. Assim, Herácles pede perdão à todas as amazonas, reconhece que seus atos foram cruéis e desumanos e as mulheres decidem perdoá-lo.
"Desafio dos Deuses" é uma história sobre coragem. Diana foi escolhida pelos deuses e pelas próprias amazonas como a representante de seu povo, a maior guerreira entre elas e que foi designada a enfrentar Ares, ir à terra do patriarcado e adentrar a perigosa caverna que continha um mal antigo. Dentro da caverna, Diana descobre que a guerreira que inspirou seu nome foi uma humana comum que chegou à ilha e mesmo ferida e sem conhecer ninguém, ajudou as amazonas a derrotarem seja lá o que as ameaçavam, morrendo no processo, foi corajosa o bastante para ajudar pessoas que não conhecia mas que sabia que estavam em perigo. Por último temos Héracles, além de ser literalmente o símbolo da coragem, ele incorporou este sentimento ao se dispor a segurar uma montanha inteira e salvar uma mulher que apesar de ter feito coisas extremamente cruéis, ainda a amava, e principalmente quando teve coragem de admitir seu erro e deixar o orgulho de lado para pedir perdão.
O desenho do Pérez está fenomenal como sempre. Cenários detalhadíssimos, poses dinâmicas, tudo perfeito como George Pérez sempre é.
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| Capas Wonder Woman 8-14. Por George Pérez. |
Arte sublime. Roteiro envolvente. Tudo é muito bom neste volume, a fase segue em alto nível, porém ficará com a nota um pouco menor que o volume anterior pelas duas primeiras ediçoes que acabam sendo meio fraquinhas e puxam pra baixo o encadernado. Nota: 9/10.
Para ler outros artigos sobre a maior heroína da história, clique aqui. Obrigado por ter lido, até a próxima!
Por Theo Pacheco.


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