Começando mais uma fase aqui no DCnautas, temos uma das mais icônicas da personagem e até da própria DC: Mulher-Maravilha por George Pérez, a longa fase pós-Crise que reformulou a personagem e a transformou no que é hoje. É importante ressaltar que por enquanto, só farei review da fase escrita e desenhada pelo George Pérez, das edições 1-24 da revista Wonder Woman; á partir da 27, Pérez começa a apenas a escrever e assim ele fica até a 62, eu não tenho muito interesse de ler essa parte que ele só escreve pois o que realmente me intriga é o desenho, porém, se quiserem muito e se eu sentir que a fase me pegou e quero continuar, posso ler até o final. Eu me basearei na coleção "Lendas do Universo DC: Mulher-Maravilha" publicada aqui no Brasil pela Panini e que fecha em 4 volumes. Este primeiro volume contempla da edição 1-7 de Wonder Woman publicado de 1986 a 1987, tem roteiro de Len Wein e desenho e argumento de George Pérez. Foi publicado mais recentemente no volume um do omnibus "Mulher-Maravilha por George Pérez", além de já ter saído nos formatinhos da Abril, no volume 38 da coleção de capa dura da Eaglemoss e na coleção da Panini que eu já citei anteriormente.
Este primeiro volume é um grande arco de sete edições contando a origem da Mulher-Maravilha, de como ela chegou ao mundo do patriarcado, como se tornou a Mulher-Maravilha enfrentando a ameaça de Ares, deus grego da guerra. O título oficial desse arco que foi usado tanto em algumas da publicações aqui no Brasil quanto nos EUA é "Deuses e Mortais" ("Gods & Mortals"), imagino que seja por conta da relação da Diana e de Ares (deuses) com o elenco de apoio da história (mortais).
Essa história é a segunda vez que eu leio e ela continua muito boa, é uma HQ que reformula perfeitamente a origem das amazonas, fazendo uma releitura do que foi apresentado em Wonder Woman 1 de 1942. Contando o porquê de existir uma civilização apenas de mulheres isolada no meio do oceano e como Diana foi escolhida para ir ao mundo do patriarcado. A primeira edição de 32 páginas é 100% focada nisso, um bom início para o pós-Crise da amazona.
Len Wein cria o clima de tensão perfeito que permeia as sete edições, você fica intrigado e entretido na trama envolvendo o plano de Ares para a destruição da humanidade, criando mistérios e conspirações que te deixam curioso para saber o que irá ocorrer. O elenco de apoio que ele apresenta para Diana também é muito bom, personagens que caíram de paraquedas nessa treta toda envolvendo deuses gregos, você pode perceber enquanto lê que todos eles têm histórias e vidas que podem ou não ser exploradas durante a trama e isso contribui muito para o leitor sentir que aqueles personagens são vivos.
O desenho do George Pérez eu não tenho nem o que falar. Na minha opinião, esse homem é o melhor desenhista de super-heróis que já pisou na indústria, o domínio de anatomia, de perspectiva, de tudo que ele tem é perfeito, a narrativa visual que ele usa pra guiar a história te ajuda a acompanhar os textos, é um espetáculo visual que enche os olhos, isso sem falar das capas dessas edições que contêm detalhes mínimos que enriquecem a arte.
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| Capas de Wonder Woman 1-7 por George Pérez. Obs: A número é uma capa dupla mas infelizmente n achei a imagem completa. |
A única ressalva que eu tenho a esse gibi é a quantidade de texto. Não posso ser anacrônico aqui pois é um gibi mais antigo de um escritor das antigas (Len Wein escrevia história nos anos 60) porém, apesar disso, não deixa de ser verdade, da primeira vez que eu li eu não lembrava de ser tão verborrágico quanto eu achei agora, lembrava que o começo era meio lento mas depois melhorava, porém na releitura percebi que é um pouco lentinho sim, felizmente a trama intrigante e os desenhos perfeito do Pérez te ajudam e motivam a terminar o quadrinho.
Uma boa sacada que eu achei do quadrinho é que Ares em si não entra em confrontos físicos, apenas no finalzinho e muito brevemente, ele comanda e arquiteta tudo para impedir a Mulher-Maravilha. Seu plano principal era controlar dois coronéis, um dos EUA e outro da União Soviética, para lançar uma bomba nuclear um no outro, assim iniciando a Terceira Guerra Mundial, e depois ele é derrotado quando Diana usa seu laço da verdade nele o que abre seus olhos e mostra que se ele fizer isso e dizimar a humanidade, não haverá mais nada para ele, seja para louvá-lo ou repudiá-lo, então assim ele seria esquecido. A principal mensagem desse quadrinho é de que a guerra não leva a nada, não vale a pena um país destruir o outro ou qualquer pessoa destruir a outra por ódio, motivos capitalista ou qualquer coisa assim, infelizmente, estamos num mundo em que está ocorrendo diversas guerras simultâneas, se nos anos 80 diziam que poderia ocorrer a Terceira Guerra, agora estamos mais próximos disso do que nunca, como diz Humberto Gessinger na música "Filmes de Guerra, Canções de Amor": "Não tenho medo de perder a guerra/ pois no fim da guerra todos perdem". Este quadrinho está mais atual agora do que na própria época em que foi publicado, contendo uma mensagem que não é tão disseminada quanto deveria, no momento em que mais precisamos.
Nota: 10/10.
Obrigado por ter lido até aqui, até a próxima!
Por Theo Pacheco.


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